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Volta às aulas e inclusão: a escola como configuração política de interdependência – Leia o artigo escrito por Micheli Fontes

O início do ano letivo é um momento propício para que a escola reflita sobre suas práticas, seus modos de organização e as relações que estabelece em seu cotidiano. Na Educação Especial, pensada a partir de uma perspectiva inclusiva, esse período ganha centralidade, pois é nele que se evidenciam decisões pedagógicas que expressam o tipo de escola que vem sendo construída. A partir das contribuições de Norbert Elias (1994), a escola pode ser compreendida como um espaço relacional, no qual os sujeitos se constituem nas interações que estabelecem entre si. Como afirma o autor: “É a essa rede de funções que as pessoas desempenham umas em relação às outras e a ela que chamamos de sociedade” (ELIAS, 1994, p. 23). Sob essa compreensão, educadores, estudantes, famílias, gestores e políticas públicas participam de um mesma teia social, no qual as ações se articulam e produzem sentidos coletivos para a inclusão.
Por isso, o início das aulas nos convidam a refletir: Quem são os sujeitos que ocupam a escola? Como são reconhecidos dentro dela?No campo da Educação Especial, essa reflexão pode ser compreendida como uma estratégia que qualifica as práticas pedagógicas e orienta decisões mais coerentes com a diversidade presente na escola. Ainda é recorrente a tendência de reduzir o estudante ao laudo que o acompanha. Quando existente, o laudo deve cumprir a função de apoio, sem jamais anteceder o encontro humano. Nesse contexto, torna-se fundamental discutir a acessibilidade atitudinal. Mais do que rampas ou recursos materiais, são as crenças, os comportamentos e as posturas cotidianas que, muitas vezes, dificultam ou impedem a participação plena dos estudantes. Quando o olhar se fixa no laudo ou na habilidade que ainda não foi trabalhada e consolidada, a exclusão se produz de forma silenciosa.
Muitos educadores terão, neste início de ano, o primeiro contato com seus estudantes; outros darão continuidade a processos já iniciados. Em ambos os casos, é preciso afirmar: o começo é, muitas vezes, desafiador. A inclusão não se revela de imediato, não se consolida no primeiro ou no segundo contato. Ela se constrói no tempo, na insistência pedagógica e na disposição para aprender com o outro. Aos educadores que, em 2025, tentaram fazer a educação inclusiva acontecer no cotidiano escolar, é preciso dizer com clareza: houve avanços, houve escolhas corajosas e houve práticas que deram certo. Reconhecer esse percurso é fundamental, porque a inclusão não se constrói do zero a cada ano. Por isso, contamos com vocês em 2026 não apenas para continuar, mas também para compartilhar as experiências que foram assertivas, os caminhos que produziram vínculo, aprendizagem e participação. Tornar visível o que deu certo também é um ato formativo.Reconhecer avanços não significa afirmar que todos os desafios foram superados. Ainda há muito a ser feito, revisto e aprimorado no campo da Educação Especial, especialmente no que diz respeito às práticas pedagógicas, às condições de trabalho e à garantia efetiva de participação e aprendizagem para todos os estudantes.
Para os educadores que vivenciam, neste momento, o primeiro contato com a educação inclusiva, é importante reconhecer que o início do percurso pode provocar inseguranças, dúvidas e até receio de errar e isso integra o próprio processo formativo. A escola se constitui como um espaço coletivo, no qual a construção pedagógica não acontece de forma isolada. Professores de Educação Especial, profissionais de apoio e equipes pedagógicas fazem parte desse cotidiano e contribuem, por meio da escuta, da orientação e do trabalho compartilhado, para o fortalecimento das práticas. A inclusão não se sustenta em respostas prontas, mas na abertura para o diálogo, na aprendizagem conjunta e na busca contínua por caminhos possíveis. É nesse exercício de interdependências que se constroem apoios, se consolidam práticas pedagógicas e se ampliam as condições de participação dos estudantes.
É no cotidiano da escola que se produzem os movimentos mais significativos: práticas construídas coletivamente, ajustes pedagógicos, tentativas, acertos e estratégias que se mostram possíveis na Educação Especial em uma perspectiva inclusiva. Nada do que é vivido nesse espaço é irrelevante. Quando essas experiências são observadas, registradas, compartilhadas e sistematizadas, deixam de ser apenas vivências isoladas e passam a constituir dados, argumentos e saberes sobre a realidade educacional. Esses elementos têm potência para tensionar, qualificar e orientar a construção de políticas públicas mais coerentes com a diversidade humana. Inserida nessa teia de interdependências, a escola não atua apenas como executora de políticas: ela também participa ativamente de sua produção.
Dentro dessa rede de interdependências que constitui a escola, conforme nos ajuda a compreender Norbert Elias (1994), a família ocupa um lugar fundamental. É ela quem estabelece o primeiro contato com os estudantes e traz observações, experiências, saberes e leituras que se produzem fora do espaço escolar, mas que atravessam diretamente os processos educativos. Ao integrar essa configuração, a família contribui para dar continuidade, sentido e profundidade aos trabalhos iniciados na escola, fortalecendo as mediações pedagógicas e ampliando as possibilidades de desenvolvimento e aprendizagem.Que 2026 seja o ano em que a escola pública escolha a constância em vez da pressa, o coletivo em vez do isolamento. Porque educar é sempre um ato coletivo e profundamente político.
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CONHECENDO UM POUCO DA AUTORA
MICHELI FONTES É CAPIXABA E PROFESSORA DE EDUCAÇÃO ESPECIAL. LICENCIADA EM PEDAGOGIA, CONSTRUIU SUA TRAJETÓRIA NA ESCOLA PÚBLICA, ONDE ATUA NO ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO. SUA APROXIMAÇÃO COM A EDUCAÇÃO ESPECIAL TEVE INÍCIO NA ASSOCIAÇÃO DE PAIS E AMIGOS DOS EXCEPCIONAIS (APAE) , EXPERIÊNCIA QUE MARCOU SEU PERCURSO E CONTRIBUIU PARA O OLHAR SENSÍVEL QUE ORIENTA SUA PRÁTICA.
DESDE CEDO, ENCONTROU NA EDUCAÇÃO E NA ESCRITA FORMAS DE EXPRESSAR VIVÊNCIAS E APRENDIZAGENS, TRANSFORMANDO ENCONTROS E EXPERIÊNCIAS EM REFLEXÕES COMPROMETIDAS COM A INCLUSÃO. SUA ATUAÇÃO É MARCADA PELO TRABALHO COLABORATIVO, PELA ESCUTA SENSÍVEL E PELA DEFESA DE UMA ESCOLA CONSTRUÍDA EM REDE, NA QUAL NINGUÉM CAMINHA SOZINHO.ACREDITA NA EDUCAÇÃO COMO PROCESSO COLETIVO E NA FORÇA DAS INTERDEPENDÊNCIAS COMO CAMINHO PARA UMA ESCOLA MAIS JUSTA, SENSÍVEL E CONSTRUÍDA NO ENCONTRO.
INFORMAÇÕES DE CONTATO:
Instagram: @micheliffontes E-mail: micheliffontes@gmail.com
Pesquisa cria novo alimento funcional a partir da castanha de caju
Estudo desenvolve alimento funcional a partir da amêndoa da castanha de caju, com potencial nutricional e aplicação na indústria de alimentos

Atentos a novas tendências de consumo, marcadas pela demanda por alimentos mais saudáveis, funcionais e sustentáveis, pesquisadores da Embrapa desenvolveram um análogo a queijo cremoso vegetal e simbiótico. A formulação combina Bifidobacterium, gênero de bactérias benéficas, e fibras prebióticas, resultando em uma simbiose capaz de favorecer a saúde intestinal e fortalecer a imunidade. O novo produto também apresenta vantagens para a indústria, porque aproveita amêndoas de castanha de caju (ACC) quebradas que possuem o mesmo valor nutricional das amêndoas inteiras.

“Buscamos desenvolver uma alternativa vegetal saudável, com propriedades funcionais reais e que pudesse atender tanto consumidores que evitam lácteos por opção quanto aqueles com restrições como intolerância à lactose ou alergia à proteína do leite”, explica a pesquisadora Selene Benevides, da Embrapa Agroindústria Tropical (CE), responsável pelo projeto de desenvolvimento do análogo a queijo.
Ao utilizar amêndoas quebradas, menos valorizadas comercialmente embora apresentem o mesmo valor nutricional das inteiras, os pesquisadores agregam valor a um coproduto do beneficiamento e ampliam alternativas para uma cadeia produtiva estratégica no Nordeste.
Ensaios laboratoriais do análogo a queijo apontaram teores adequados de frutooligossacarídeos FOS (a fibra prebiótica), estabilidade microbiológica e número de células viáveis de Bifidobacterium durante o estudo de 45 dias de armazenamento. O produto apresentou bons resultados em testes sensoriais realizados com consumidores, com média 7 para aceitação global, equivalente a “gostei”. Para a intenção de compra, a média obtida ficou entre 4 e 5, equivalente a “provavelmente compraria” e “certamente compraria”, respectivamente.
O análogo a queijo simbiótico passou por ampliação de escala de produção e validação industrial em indústria de produtos plant-based. Estão em execução, em parceria com a Universidade de Fortaleza (Unifor), ensaios clínicos com seres humanos para avaliar a funcionalidade do produto.
Novas formulações
O pesquisador Nédio Jair Wurlitzer, que atua no Laboratório de Processos Agroindustriais da Embrapa Agroindústria Tropical, salienta que a inovação é uma resposta a tendências de consumo e hábitos alimentares. “O consumidor busca produtos que, além da nutrição, ofereçam benefícios reais à saúde. Isso nos impulsiona a desenvolver novas formulações e a requalificar recursos já existentes, como a amêndoa de castanha de caju quebrada”, avalia.
A pesquisadora Socorro Bastos, responsável por iniciativa interna da Embrapa que busca alinhar os projetos de pesquisa à temática protagonismo do consumidor, diz que empresas e centros de pesquisa têm observado tendências como o crescimento do público vegano, vegetariano e flexitariano, a preocupação com o bem-estar animal e o impacto ambiental, além do aumento da demanda por alimentos funcionais.
Nessa linha, várias matérias-primas já foram estudadas no Laboratório de Processos Agroindustriais da Embrapa, como caju, babaçu, yacon, jenipapo, feijão caupi, tamarindo e maracujá.
Entre os estudos realizados, a equipe desenvolveu aplicações para variedades de maracujá-silvestre, avaliadas por sua possível contribuição no tratamento de tremores. Apresentou uma alternativa para reduzir a acidez do suco de tamarindo, ampliando sua aceitação. O yacon, uma raiz rica em frutooligossacarídeos, adicionado a suco de caju demonstrou impacto positivo na dieta em testes clínicos.

Outra frente de estudos envolve a agregação de valor a coprodutos. Os pesquisadores observaram como aproveitar melhor a fibra do bagaço de caju, desenvolvendo uma alternativa para a indústria de produtos substitutos da carne. A busca por proteínas alternativas inclui pesquisas com o uso da amêndoa de caju e estudos com feijão-caupi. Em resposta à rejeição a aditivos sintéticos, o laboratório também explora pigmentos naturais da pitaya e do jenipapo.
Saiba mais:
Probióticos: São as bactérias vivas benéficas que colonizam temporariamente o intestino, competindo com bactérias patogênicas e ajudando a manter a saúde intestinal.
Prebióticos: São compostos não digeríveis (geralmente fibras) que servem como alimento para as bactérias probióticas, estimulando seu crescimento e atividade.
Simbióticos: Prebióticos e probióticos, combinados na formulação do alimento, apresentam sinergia e intensificam os benefícios em promover um ambiente intestinal mais saudável.
Pesquisa de olho no mercado
Para entregar produtos que atendam às necessidades e desejos dos consumidores, a Embrapa inclui o monitoramento do comportamento do consumidor entre os aspectos observados no seu planejamento de pesquisa. “É um movimento sustentado a partir do diálogo constante entre ciência, setor produtivo e sociedade”, diz Socorro Bastos.
Conforme a pesquisadora, entre as linhas de pesquisa influenciadas por novas demandas de consumo estão desenvolvimento de produtos à base de proteínas alternativas, agregação de valor a matérias-primas com foco em segurança e qualidade, formulações destinadas a públicos com restrições alimentares, substituição de compostos sintéticos por ingredientes naturais, e estudos que fortaleçam a rastreabilidade e a procedência dos produtos brasileiros.
“Precisamos gerar respostas para um consumidor mais atento, que busca confiança, procedência, saudabilidade e inovação”, explica Bastos. Segundo ela, o alinhamento das pesquisas às demandas de consumo envolve estudos de mercado, monitoramento de observatórios temáticos e participação em feiras e eventos especializados.
Além disso, pesquisadores investem em ferramentas de business intelligence (BI) e em sistemas de monitoramento e mineração de dados, que permitem captar sinais emergentes do consumo. O acompanhamento de agendas institucionais junto ao Poder Legislativo e entidades representativas também ajuda a antecipar mudanças regulatórias e orientar decisões.
As demandas surgem em workshops, pesquisas de mercado, câmaras setoriais e por meio de projetos de PD&I realizados em parcerias com produtores, indústria, startups, consumidores e organizações da sociedade civil. Bastos explica que a lógica é de codesenvolvimento, em que a ciência recebe feedback contínuo sobre preferências, uso, aceitação e impacto das tecnologias. Esse fluxo é visto como essencial para aumentar as chances de adoção das soluções desenvolvidas.
Por Embrapa
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